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Bem Vindos ao Portal Arco Íris - Kuan Yin

segunda-feira, 3 de abril de 2017

A descoberta do Buda – Pensamentos errantes

A descoberta do Buda – Pensamentos errantes


Sutra: Assim como arqueiro apara e afia sua flecha, o mestre corrige seus pensamentos errantes.
Osho: Há uma famosa parábola tibetana:
Um homem serviu a um mestre durantes muitos e muitos anos. O serviço não era puro: havia uma motivação nele. Ele queria um segredo do mestre – o segredo de como fazer milagres. Com esse desejo oculto, o homem estava servindo ao mestre dia após dia. Ele tinha medo de dizer qualquer coisa sobre o seu motivo, mas o mestre o estava observando continuamente.

Certo dia, o mestre lhe disse:
– É melhor que você, por favor, deixe a sua mente falar, porque eu estou continuamente vendo um motivo em todo o serviço que você me presta. Ele não é feito por amor; certamente, não é por amor. Eu não vejo nenhum amor no que você faz. E não vejo nenhuma humildade. É uma espécie de suborno. Assim, por favor, diga-me: o que você quer?
O homem estava esperando por aquela oportunidade. Ele disse:
– Eu quero o segredo de fazer milagres.
– Então, por que você perdeu tanto tempo? – respondeu o mestre. – Você poderia ter-me dito no primeiro dia em que chegou. Você se torturou e me torturou também, porque eu não gosto de ter pessoas que têm motivos ao meu redor. Elas são feias de se ver. Elas basicamente são gananciosas, e a ganância as torna feia. O segredo é simples… Por que você não me pediu no primeiro dia? Este é o segredo…
Ele escreveu um pequeno mantra num pedaço de papel, apenas três linhas: “Buddham sharanam gachchhami. Sangham sharanam gachchhami. Dhammam sharanam gachchhami”. Isso quer dizer: “Eu vou aos pés de dhamma, da lei suprema”.
E o mestre disse ao homem:
– Leve esse pequeno mantra com você, repita-o cinco vezes – apenas cinco vezes. É um processo simples. Basta lembrar-se de uma condição enquanto o estiver repetindo: tome um banho, feche a porta, sente-se silenciosamente – e, enquanto estiver repetindo o mantra, não pense em macacos.
– Que absurdo é esse que você está dizendo? – disse o homem.
– Em primeiro lugar, por que eu pensaria em macacos? Jamais presteis atenção em macacos em toda a minha vida!
– Isso fica por sua conta, mas eu tenho que lhe falar sobre a condição. Foi assim que o mantra me foi transmitido, com essa condição. Se você nunca pensou em macacos, tanto melhor. Agora vá para casa e, por favor, não volte nunca mais. Você tem o segredo, sabe a condição. Aceite a condição e você terá poderes miraculosos; seja o que for que queira fazer, você é capaz. Você pode voar no céu, pode ler os pensamentos das pessoas, pode materializar coisas e assim por diante.
O homem correu para casa; ele até se esqueceu de agradecer ao mestre. É assim que ganância funciona: ela não sabe o que é agradecimento, não sabe o que é gratidão. A ganância é absolutamente inconsciente da gratidão – ela nunca se deparou com ela. A ganância é um ladrão, e os ladrões não agradecem às pessoas.
O homem saiu correndo, mas ficou muito intrigado: mesmo no caminho para casa, os macacos começaram a aparecer em sua cabeça. Ele viu muitas espécies de macacos, pequenos e grandes, e de boca vermelha e de boca preta. E ele ficou muito intrigado, “O que está acontecendo? ” Na verdade, ele não estava pensando em nada mais além de macacos. E eles estavam se tornando cada vez maiores e se amontoando todos ao redor.
Ele foi para casa, tomou um banho. Mas os macacos não o deixavam. Então começou a suspeitar que eles não iriam deixá-lo enquanto ele estivesse entoando o mantra. Ele nem tinha entoado o mantra ainda, ele estava simplesmente se preparando. E, quando ele fechou as portas, a sala estava cheia de macacos – ela estava tão lotada que não havia nem espaço para ele mesmo! O homem fechou os olhos e lá estavam os macacos, ele abria os olhos e lá estavam os macacos. Ele não podia acreditar no que estava acontecendo. A noite toda ele tentou. Tomava banho e depois tentava e fracassava; e fracassava completamente.
De manhã, ele foi ao mestre, devolveu o mantra e disse:
– Guarde esse mantra com você. Isso está me levando à loucura! Não quero mais fazer nenhum milagre. Mas, por favor, me ajude a me livrar desses macacos!
É tão impossível se livrar de um único pensamento! E se você quiser se livrar dele, a coisa se trona até mais difícil, porque, quando você quer se livrar de um pensamento é um momento muito decisivo – afinal, quem é o mestre, a mente ou você? A mente tentará de todo modo possível provar que ela é o mestre e não você.
O mestre tem sido um escravo durante séculos, e o escravo tem sido o mestre durante milhões de vidas. Agora, o escravo não consegue abrir mão de todos os seus privilégios e prioridades tão facilmente. Ele vai lhe oferecer grande resistência.
Experimente! Hoje, tome um banho, feche a porta e repita esse mantra simples: Buddham sharanam gachchhami. Sangham sharanam gachchhami. Dhammam sharanam gachchhami – e não deixe os macacos chegarem até você…
Você ri do pobre homem!? Você ficará surpreso: você é aquele homem.
Despertando: A pressa é inimiga da observação – o mestre sabe disso.
A mente é quem invoca a pressa, ela não quer ver você fazendo as coisas de forma tranquila, harmoniosa; ela quer você apressado, ela quer resultados, os números são o mais importante para ela.
O arqueiro dominado pela mente só pensa no alvo, a única imagem que passa pela sua cabeça, são milhares de flechas o preenchendo. Acontece que nessa afobação, ele esqueceu de verificar a qualidade de sua flecha, pois, se ela não se fixar no alvo, de nada adiantou.
O arqueiro consciente desfruta de cada passo da jornada. Ele sabe o quão importante é sua flecha estar afiada; ele sente prazer ao cuidar dela. Ele a enxerga como sagrada, respeita sua missão, e está disposto a ajudá-la a chegar ao seu destino – ao alvo – da melhor maneira possível.
Gautama sabia do inconsciente coletivo que roda na Terra há milhares de anos. Um Buda sabe que – a todo momento – pensamentos negativos lhe serão oferecidos. Por isso, administra seu tempo de forma consciente, antes de investir sua energia adentrando em um pensamento, ele o observa, sente suas intenções, e, só se deixa levar, se forem positivas – amor.
O mestre não é aquele que não possui pensamentos negativos, e sim, aquele que aprendeu apenas a observá-los.
Busque conhecimento, emita amor, seja Luz!
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